
Esta metodologia foi sistematizada em julho de 2025, após cinco edições publicadas da revista. Ela apresenta etapas contemporâneas entre si e que, não necessariamente, estabelecem relações de causalidade. Servem, portanto, como densificadores de um processo em constante mutação, aprimoramento e invenção.
VÍNCULO: Partimos do vínculo como exercício de afetação. Entre a coisa artística e o corpo da pessoa crítica, confia-se uma relação afetiva — solicitando nossa capacidade de nos afetar. Substitui-se qualquer saber prévio pela disponibilidade para a vinculação. A relação que se estabelece entre o corpo da pessoa crítica e a coisa artística precisa ser protegida para ser transformada no texto que virá; o vínculo é a matéria-prima da transformação.
TRANSFORMAÇÃO: Atividade, labor, ruminação, elaboração, ou seja, a partir do vínculo nascido entre coisa artística e pessoa crítica se fabrica algo. O transformar acontece fora da coisa artística. Assumimos um verbo para localizar a ação fabril que agirá sobre a matéria-prima. Esta operação requer do corpo da pessoa crítica a busca por novos ingredientes e ferramentas que farão do vínculo um vínculo transformado.
GESTO: Gesticulação e aceno que é feito do texto em criação para o mundo (época, espaço, tempo). Tal gesto é feito no vínculo transformado (ou ainda em transformação). Ele é um sinal de intencionalidade e conexão — sobretudo com qualidades políticas, sociais, econômicas etc., essencialmente localizadas. Nesta etapa, o texto em criação repele a sua indiferença ao mundo, obrigando-se a efetivar um gesto de comunicação.
CONJUNÇÃO: É a procura dos elos entre o texto em criação e a coisa artística (de onde ele parte). Tal atividade é referida pelo subtítulo de cada texto crítico, cada qual criado “a partir de” uma coisa artística específica. Esta etapa busca (re)acessar a coisa artística em sua materialidade. A conjunção obriga o texto em criação a dar visibilidade às conexões feitas por ele com a coisa artística, reforçando a sua interdependência irrestrita.
FORMA: A fisiologia e aparência que cada “esse texto” revela para as leitoras. Nesta etapa, busca-se a indissociabilidade entre interioridade e exterioridade do texto em criação. Ela remete à criação de uma linguagem artificiosa (ou seja, artística) a partir do corpo textual: partes constituintes, ausências, sugestões táteis, sua dança com a morte, diagramação, se algo no texto o sustenta, o constrange, o som da sua voz, seu silenciamento etc.
